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Hacker acessando notebook

Grandes empresas e órgãos públicos estão ampliando investimentos e planos de contingência para reduzir sua exposição a interrupções em serviços, fornecedores e infraestruturas digitais.

A dependência de tecnologias, provedores de nuvem, sistemas de telecomunicações, dados e outros ativos digitais passou a ser tratada como uma questão estratégica por conselhos de administração e lideranças de grandes organizações.

Uma pesquisa da Capgemini, divulgada nesta terça-feira (8) e noticiada pela Reuters, mostra que empresas e entidades públicas estão dedicando mais atenção à chamada soberania digital — conceito relacionado à capacidade de manter controle sobre dados, sistemas e cargas de trabalho consideradas essenciais para a operação.

O levantamento ouviu executivos de 1.300 grandes organizações em 11 países. De acordo com os dados apresentados pela Reuters, 86% das organizações relatam exposição significativa a riscos relacionados à soberania digital, enquanto 65% já destinaram orçamento para medidas voltadas ao tema.

Infraestrutura digital passa a ser tratada como cadeia de suprimentos

O cenário indica uma mudança na forma como as empresas avaliam a tecnologia. Infraestrutura digital, antes considerada principalmente uma questão operacional ou de TI, passa a receber um nível de atenção semelhante ao dedicado ao fornecimento de energia e às cadeias físicas de suprimentos.

Entre os fatores que impulsionam essa transformação estão tensões geopolíticas, controles de exportação, ataques cibernéticos e possíveis interrupções no acesso a tecnologias consideradas críticas.

Conflitos recentes também evidenciaram o risco. Segundo a reportagem da Reuters, ataques contra data centers e infraestrutura de telecomunicações durante guerras na Ucrânia e no Oriente Médio contribuíram para tornar essas vulnerabilidades mais concretas para executivos e conselhos de administração.

Trocar um fornecedor crítico pode levar mais de um ano

Um dos principais desafios identificados pela pesquisa está na dificuldade de substituir rapidamente fornecedores essenciais.

Quase metade das organizações consultadas informou que precisaria de três meses a um ano para substituir um fornecedor crítico. Para mais de um terço dos participantes, esse processo poderia demorar mais de um ano.

Esse cenário faz com que empresas passem a avaliar não apenas quem fornece determinada tecnologia, mas também se existe uma alternativa viável caso o acesso ao serviço, plataforma ou fornecedor seja interrompido.

A Airbus está entre as companhias que, segundo o estudo citado pela Reuters, já começaram a adotar medidas para diminuir dependências de determinadas tecnologias e fornecedores.

Dados e modelos de IA entram no centro da estratégia

A preocupação não envolve apenas servidores, redes ou sistemas tradicionais. Dados proprietários, propriedade intelectual e modelos de inteligência artificial também estão sendo considerados ativos críticos.

Em vez de necessariamente substituir toda a infraestrutura ou abandonar grandes fornecedores de tecnologia, muitas organizações estão buscando garantir que consigam manter controle sobre seus ativos mais valiosos e transferi-los para outra infraestrutura quando necessário.

Na prática, a estratégia aumenta a importância de temas como portabilidade de dados, interoperabilidade, planos de recuperação, redundância de fornecedores e redução do chamado vendor lock-in.

A tendência mostra que resiliência digital e soberania tecnológica estão deixando de ser assuntos restritos às equipes de TI e entrando definitivamente na agenda estratégica das empresas.

Fonte: reportagem de Leo Marchandon, publicada pela Reuters em 8 de setembro de 2026, com base em pesquisa da Capgemini.